Soneto de separação - Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
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Mais conhecido pelas suas composições musicais, Vinicius de Moraes iniciou sua obra poética na década de 1930, com a publicação de "O caminho para a distância (1933)". Sua poesia, naquele momento, conservava ainda uma clara influência da estética simbolista.
Nas obras iniciais, Vinicius aproximou-se de temas como a religiosidade e a angústia associada à oscilação entre matéria e espírito.
Aos poucos, porém, seu interesse voltou-se para aspectos do cotidiano e para o relacionamento amoroso. Nos seus inúmeros poemas de amor, a influência da poesia camoniana é muito forte e pode ser observada na tentativa de analisar o amor, na preferência pelo soneto como forma poética,e no uso frequente de antíteses para expressar as contradições próprias desse sentimento.
Em muitos sonetos de Vinicius de Moraes, o amor é apresentado como um sentimento poderoso e fugaz. É essa ideia central do "Soneto de separação", em que as antíteses mostram o impacto da perda do amor na vida das pessoas: o riso torna-se pranto, traz a dor, a tristeza. A tragédia, que provoca o espanto, é constatar que toda essa transformação acontece de repente, em um breve instante.

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